O setor do agronegócio brasileiro, historicamente um dos pilares da economia nacional, está projetado para crescer em 2025, conforme análise recente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No entanto, mesmo diante dessa perspectiva positiva, o cenário exige atenção redobrada dos participantes do mercado de capitais, especialmente para aqueles envolvidos em instrumentos como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
Panorama Geral do Agronegócio
A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em 2025 reflete tanto a capacidade produtiva do setor quanto os impactos das recentes inovações tecnológicas e da expansão das exportações. Produtos como soja, milho e carne bovina continuam liderando a pauta exportadora, enquanto segmentos como o café e as frutas ganham relevância. Em 2023, o agronegócio representou cerca de 25% do PIB brasileiro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o que reforça sua importância estratégica.
Entretanto, fatores internos, como instabilidades políticas e questões regulatórias, bem como o cenário externo, marcado por oscilações cambiais e mudanças na dinâmica de mercados importadores, podem influenciar significativamente o desempenho do setor. A China, principal destino das exportações de soja, tem apresentado uma demanda crescente por produtos de maior valor agregado, o que pode abrir novas oportunidades.
Relevância do Agronegócio no Mercado de Capitais
O agronegócio tem ganhado espaço como um dos principais drivers para os investidores institucionais. Produtos financeiros como os FIDCs e os CRAs oferecem uma oportunidade única de alocar recursos em uma cadeia produtiva robusta e resiliente. Em 2023, os CRAs registraram uma emissão recorde de mais de R$ 30 bilhões, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), demonstrando o apetite dos investidores pelo setor. Da mesma forma, o Fiagro, criado para estimular investimentos diretos e indiretos no agronegócio, tem sido um importante atrativo para investidores que desejam diversificar seus portfólios com um viés mais próximo à economia real.
Entretanto, é fundamental que investidores e gestores estejam atentos aos riscos inerentes a esses instrumentos. O aumento da taxa de juros, a volatilidade cambial e possíveis desajustes no ambiente regulatório podem impactar negativamente os retornos projetados. A precificação de CRAs e cotas de Fiagro, por exemplo, pode se tornar mais complexa diante de um cenário macroeconômico desafiador.
Perspectivas para FIDCs, Fiagro e CRAs
FIDCs
Os FIDCs têm mostrado sua relevância ao oferecerem liquidez para produtores rurais e empresas da cadeia do agronegócio. Com a previsão de crescimento do PIB do setor, espera-se uma maior demanda por esse tipo de instrumento, especialmente para financiar insumos e expansão de atividades. Dados da ANBIMA indicam que, em 2024, os FIDCs vinculados ao agronegócio movimentaram mais de R$ 12 bilhões, refletindo o aumento da confiança no setor. Contudo, é essencial monitorar a qualidade dos recebíveis e a estruturação dos fundos para evitar riscos de inadimplência.
Fiagro
O Fiagro se consolidou como uma alternativa para captar recursos destinados ao agronegócio, atraindo tanto investidores institucionais quanto pessoas físicas. Em 2025, a tendência é de maior adesão, especialmente diante das vantagens tributárias oferecidas. Segundo a B3, o Fiagro já acumula um patrimônio de mais de R$ 20 bilhões em ativos sob gestão, evidenciando o seu crescimento exponencial. Ainda assim, é crucial que gestores mantenham uma estratégia cautelosa, focando em ativos que apresentem boa relação risco-retorno e alinhamento com as expectativas de crescimento do setor.
CRAs
Os CRAs, por sua vez, representam uma forma eficaz de financiar atividades específicas do agronegócio, como a ampliação de áreas plantadas ou melhorias na infraestrutura. Em 2023, mais de 60% das emissões de CRAs foram destinadas a projetos de sustentabilidade, segundo relatório da consultoria KPMG. Contudo, o apetite dos investidores pode ser afetado por questões como a insegurança jurídica e a instabilidade regulatória. A transparência na emissão e o monitoramento contínuo dos riscos são fatores indispensáveis para o sucesso desse instrumento.
Considerações Finais
O cenário para o agronegócio em 2025 é promissor, mas não isento de desafios. Investidores e gestores de produtos financeiros ligados ao setor precisam adotar uma postura analítica e prudente, considerando tanto as oportunidades quanto os riscos envolvidos. Alocar recursos no agronegócio não é apenas uma aposta no crescimento econômico do Brasil, mas também um compromisso com uma das cadeias produtivas mais relevantes do país.
O equilíbrio entre otimismo e cautela será o diferencial para aqueles que desejam navegar com sucesso nesse mercado em constante evolução. Assim, é imprescindível manter-se atualizado sobre as dinâmicas do setor e priorizar boas práticas de gestão e análise de risco para aproveitar as oportunidades que 2025 reserva.
Publicado em: 01/25

Por: Rafael Gerbasi
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