Como a vitória de Donald Trump pode favorecer o agronegócio Brasileiro

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A realidade próxima de um segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos levanta questionamentos e expectativas sobre como suas políticas poderiam impactar o comércio global, em especial o agronegócio brasileiro. Olhando para as políticas que Trump já aplicou anteriormente – como a guerra comercial com a China e uma postura protecionista – é possível vislumbrar alguns cenários onde o Brasil poderia se beneficiar.

 

1. Expansão das exportações para a China

Na gestão anterior, Trump travou uma guerra comercial com a China, que, em resposta, impôs tarifas sobre diversos produtos dos EUA, incluindo a soja. Como consequência, o Brasil rapidamente se consolidou como fornecedor de soja para o mercado chinês, aumentando suas exportações para o país e estabelecendo uma relação que ainda hoje é fundamental para o setor.

 

Com uma vitória de Trump, é bastante provável que a relação comercial entre EUA e China continue tensa, o que fortalece a posição do Brasil como um parceiro estratégico. Para se ter uma ideia, em 2020, o Brasil exportou cerca de 85 milhões de toneladas de soja, e 70% disso foi para a China. Caso essa demanda continue crescendo, projeções apontam um aumento de até 20% nas exportações de grãos para a China nos próximos anos. Em números concretos, isso poderia significar um salto nas receitas de exportação, que podem ultrapassar os US$ 30 bilhões somente no setor de grãos.

 

2. Acesso a Novos Mercados Internacionais

A política “América Primeiro” de Trump tende a restringir o comércio dos EUA com alguns países, o que pode abrir novas oportunidades para o Brasil. Na prática, quando os EUA deixam de exportar para determinados mercados, cria-se uma lacuna que países como o Brasil podem preencher.

 

O setor de carnes é um bom exemplo. O Brasil já é o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo. Com um governo americano mais focado no protecionismo, o Brasil pode expandir ainda mais sua presença em mercados importantes, como o do Oriente Médio e da Ásia, onde as exportações de carne cresceram mais de 35% em 2020. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) projeta que o Brasil pode alcançar a marca de 3 milhões de toneladas exportadas de carne bovina até 2025 – e uma vitória de Trump certamente ajudaria a alcançar essa meta.

 

3. Oportunidade para Acordos Comerciais Bilaterais

Trump sempre priorizou acordos bilaterais, buscando negociar diretamente com os países para garantir vantagens específicas. Isso pode abrir portas para o Brasil, que já iniciou algumas conversas com os Estados Unidos sobre facilitação comercial. Embora um acordo de livre comércio total seja improvável, um novo mandato de Trump poderia simplificar o acesso do Brasil a produtos-chave, como carne, etanol e açúcar.

 

Hoje, o Brasil já domina o mercado mundial de açúcar, com mais de 25% de participação. Uma possível parceria que reduza tarifas de exportação poderia, nos próximos quatro anos, aumentar a receita do setor agrícola brasileiro entre 5% e 10%. Esse tipo de acordo ajudaria a garantir que o Brasil aproveitasse melhor sua competitividade em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

 

4. Valorização das Commodities

O histórico de tensões comerciais com Trump impacta o mercado de commodities, e isso pode beneficiar o Brasil. Quando há incertezas no mercado global, os preços tendem a subir, como aconteceu durante a guerra comercial de 2020, quando a soja brasileira se valorizou em mais de 20%.

 

Estudos indicam que, se houver uma nova escalada de tensões com Trump, os preços das commodities como soja, milho e carne podem subir entre 15% e 25%. Com um cenário de alta demanda global e oferta incerta, o Brasil poderia ver um acréscimo significativo nas receitas do agronegócio, estimado em cerca de US$ 12 bilhões anuais para o setor, segundo o Rabobank.

 

5. Sustentabilidade e Diferenciação de Mercado

Embora Trump seja menos rigoroso nas questões ambientais, a pressão mundial por práticas agrícolas mais sustentáveis segue crescendo. Esse é um ponto forte para o Brasil, que vem se destacando com práticas sustentáveis, como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta.

 

Os produtos certificados e sustentáveis são cada vez mais valorizados, especialmente na Europa, que paga um prêmio de até 20% por produtos “verdes”. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que fortalecer essa imagem sustentável pode trazer um adicional de cerca de US$ 5 bilhões ao ano para o agronegócio brasileiro. E com a possível redução da presença americana nesses mercados, o Brasil tem uma oportunidade concreta de se destacar e atrair ainda mais clientes.

 

Conclusão

Com a vitória de Donald Trump, o agronegócio brasileiro pode ter mais uma chance de expandir sua participação no mercado global. A continuidade das tensões comerciais entre EUA e China favorece as exportações brasileiras, especialmente de grãos e carnes. Além disso, com a possibilidade de acordos bilaterais e uma valorização das commodities, o setor pode experimentar um crescimento expressivo nos próximos anos.

 

Para aproveitar ao máximo essas oportunidades, o Brasil precisa continuar investindo em infraestrutura, tecnologia e práticas sustentáveis. Dessa forma, o país se consolida cada vez mais como um fornecedor confiável e sustentável, garantindo que o agronegócio continue a ser um dos motores de crescimento econômico do Brasil em um cenário global de incertezas.


Publicado em: 11/24

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Por: Rafael Gerbasi

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